sábado, 7 de fevereiro de 2026

Deixe-me envelhecer – Uma reflexão poética

 


Deixe-me envelhecer – Uma reflexão poética


Deixem-me envelhecer sem compromissos e cobranças. 

Sem a obrigação de parecer jovem e ser bonita para alguém.

Quero ao meu lado quem me entenda e me ame como eu sou.

Um amor para dividirmos tropeços desta nossa última jornada.

Quero envelhecer com dignidade, com sabedoria e esperança.

Amar minha vida, agradecer pelos dias que ainda me restam.

 

Eu não quero perder meu tempo precioso com aventuras.

Paixões perniciosas que nada acrescentam e nada valem.

Deixem-me envelhecer com sanidade e discernimento.

Com a certeza que cumpri meus deveres e minha missão.

Quero aproveitar essa paz merecida para descansar e refletir.

 

Ter amigos para compartilharmos experiências, conhecimentos.

Quero envelhecer sem temer as rugas e meus cabelos brancos.

Sem frustrações, terminar a etapa final desta minha existência.

Não quero me deixar levar por aparências e vaidades bobas.

Nem me envolver com relações que vão me fazer infeliz.

 

Deixem-me envelhecer, aceitar a velhice com suas mazelas.

Ter a certeza que minha luta não foi em vão: teve um sentido. 

Quero envelhecer sem temer a morte e ter medo da despedida. 

Acreditar que a velhice é o retorno de uma viagem, não é o fim.

Não quero ser um exemplo, quero dar um sentido ao meu viver.

Ter serenidade, um sono tranquilo e andar de cabeça erguida.

Fazer somente o que eu gosto, com a sensação de liberdade.

Quero saber envelhecer, ser uma velha consciente e feliz!

 

Autoria do Poema – Deixe-me Envelhecer – Concita Webe é também atribuída a Mário Quintana.


Concita Weber nasceu em São Bernardo, Maranhão. Pintora e escritora. Mora em Berlim, Alemanha. Livros publicados- Caçada em Berlim, Tempos de Ditadura, Adeus Alemanha Oriental, A Inesquecível Tia Linda, O Formigueiro, Pedra Furada, Os Filhos da Solidão, O Veredicto, O Ninho da Vespa.

Mário Quintana (1906–1994) foi um renomado poeta, tradutor e jornalista brasileiro, conhecido como o "poeta das coisas simples". Nascido em Alegrete (RS), destacou-se na segunda geração modernista por sua poesia lírica, bem-humorada e acessível, abordando o cotidiano, a infância e o tempo. Viveu grande parte da vida em hotéis em Porto Alegre. 

 Fonte – Disponível na Internet.