quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Ofertas de Aninha (aos moços) - Cora Coralina


Eu sou aquela mulher

a quem o tempo

muito ensinou.

 

Ensinou a amar a vida.

Não desistir da luta.

Recomeçar na derrota.

 

Renunciar a palavras e pensamentos negativos.

Acreditar nos valores humanos.

Ser otimista.

 

Creio numa força imanente

que vai ligando a família humana

numa corrente luminosa

de fraternidade universal.

Creio na solidariedade humana.

Creio na superação dos erros

e angústias do presente.

 

Acredito nos moços.

Exalto sua confiança,

generosidade e idealismo.

Creio nos milagres da ciência

e na descoberta de uma profilaxia

futura dos erros e violências

do presente.

 

Aprendi que mais vale lutar

do que recolher dinheiro fácil.  

Antes acreditar do que duvidar.




Sobre a Autora
Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965, quando já tinha quase 76 anos de idade, apesar de escrever seus versos desde a adolescência. 
Nascimento: 20 de agosto de 1889, Goiás. Falecimento: 10 de abril de 1985, Goiânia, Goiás.

domingo, 8 de outubro de 2023

Flávio Leandro - MUDANÇA (clipe oficial) @elmooliveiraoficial


Hoje, com sinceridade

Eu acordei com uma vontade de cuidar de mim

Me levar para um passeio.

Sem pisar o pé no freio, sem pensar no fim

 

Arrumar minhas gavetas

Botar tinta na caneta do meu coração

Escrever um: Eu me amo

Cada vez que a voz do mundo me disser que não

 

Lê um livro, colher flores

Pra te dar quando tu fores flor no meu jardim

Animar essa pessoa

Que andou vagando à toa, mas que mora em mim

 

Quando eu mudo, o mundo muda, cai na minha dança

Se eu mexo no meu mundo, o resto se balança

Muda tudo o tempo todo feito uma criança

O que não muda nesse mundo é somente a mudança.

 


SOBRE O AUTOR - Francisco Flávio Leandro Furtadonasceu em Bodocó, dia 25 de outubro de 1969.

é 
cantor e compositor brasileiro. Começou a compor desde cedo, aos 13 anos, com fortes influências dos amigos. Participou no primeiro festival em 1985, o "Sementes da Terra", com o qual se apresentou cantando canções de sua autoria. Integrou-se como vocalista na Banda Raio de Laser, em 1992. Mas seu primeiro CD Travessuras, foi lançado em 1997. Lançou em 2000 o CD Brasilidade, que mescla forrós pé-de-serra. E no ano seguinte, lançou mais um disco, dessa vez de forma acústica e posteriormente o CD Forró Iluminado

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

QUEM DOBROU O SEU PARAQUEDAS HOJE?

                       


"Charles Plumb era piloto de caça dos EUA e serviu na guerra do Vietnã. Depois de muitas missões de combate, seu avião foi derrubado por um míssil. 

Plumb saltou de paraquedas, foi capturado e passou seis anos numa prisão norte-vietnamita.

 

Ao retornar aos Estados Unidos, passou a dar palestras relatando sua odisseia e o que aprendera na prisão.

 

Certo dia, num restaurante, foi saudado por um homem: 

“Olá, você é Charles Plumb, era piloto no Vietnã e foi derrubado, não é mesmo?” 

 

“Sim. Como sabe?”, perguntou Plumb. 

 

“Era eu quem dobrava o seu paraquedas. Parece que funcionou bem, não é verdade?”

 

Plumb quase se afogou de surpresa e com muita gratidão respondeu: 

 

“Claro que funcionou, caso contrário eu não estaria aqui hoje!!!"

 

Ao ficar sozinho naquela noite, Plumb não conseguia dormir, pensando e perguntando-se: 

“Quantas vezes vi esse homem no porta-aviões e nunca lhe disse "bom dia"? Eu era um piloto arrogante e ele um simples marinheiro.” 

 

Pensou também nas horas que o marinheiro passou humildemente no barco enrolando os fios de seda de vários paraquedas, tendo em suas mãos a vida de alguém que não conhecia.

 

Agora, Plumb inicia suas palestras perguntando à plateia:

"Quem dobrou seu paraquedas hoje?"

 

Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos paraquedas durante o dia: um físico, um emocional, um mental e até um espiritual. 

 

Às vezes, nos desafios que a vida nos apresenta diariamente, perdemos de vista o que é verdadeiramente importante e as pessoas que nos salvam no momento oportuno sem que lhes tenhamos pedido.

 

Deixamos de saudar, de agradecer, de felicitar alguém, ou ainda simplesmente de dizer algo amável. Hoje, esta semana, este ano, cada dia, procura dar-te conta de quem prepara teu paraquedas e... agradeça-lhe. 

  

Todos precisamos uns dos outros, por isso, mostra-lhes sua gratidão. 

 

Às vezes as coisas mais importantes da vida dependem apenas de ações simples. 

 

Só um telefonema

um sorriso

um agradecimento

um “Gosto de Você”

um parabéns…

ou, simplesmente, 

"você é 10!"

 

Somos todos irmãos...

Voar é preciso...

A amizade é necessária...

O amor...obrigatório!

 

Todos temos alguém cujo trabalho é importante para que possamos seguir adiante. Precisamos de muitos pára-quedas durante o dia: físico, emocional, mental, espiritual. 

Jamais deixe de agradecer.

  


Texto de de origem desconhecida, adaptado ao contexto corporativo.

Fonte: http://lendaselicoes.blogspot.com/2017/03/quem-dobrou-o-seu-paraquedas-hoje.html

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

SONHAR (Bráulio Bessa)

 


    Sonhar é verbo, é seguir,

é pensar, é inspirar,
é fazer força, insistir,
é lutar, é transpirar.
São mil verbos que vêm antes
do verbo realizar.
 
Sonhar é ser sempre meio,
é ser meio indeciso,
meio chato, meio bobo,
é ser meio improviso,
meio certo, meio errado,
é ter só meio juízo.
 
Sonhar é ser meio doido
é ser meio trapaceiro,
trapaceando o real
pra ser meio verdadeiro.
Na vida, bom é ser meio,
não tem graça ser inteiro.
 
O inteiro é o completo,
não carece acrescentar,
é sem graça, é insosso,
é não ter por que lutar.
Quem é meio é quase inteiro
e o quase nos faz sonhar.
 
O quase é estar tão perto,
é quase encostar a mão,
todo quase é quase lá,
todo lá é direção,
é a vida quase dizendo
e você quase entendendo,
basta ver com o coração.
 
É amigo e inimigo…
quase agi, quase tentei,
quase achei que era possível,
quase ouvi, quase falei
e, claro, o principal quase
que é o quase acreditei.
 
Acredite que sonhar
também é compreender
que nem sempre o que se sonha
é o melhor pra você
e que não realizar
nem sempre será sofrer.
 
Sonhe sempre e seja grato
pelo sonho que já tem,
repare cada detalhe
das coisas que fazem bem,
o pouco que hoje é seu
é o muito pra alguém.
 
Ter um chão para pisar,
um sol pra lhe dar calor,
ter o ar pra respirar,
ter saúde, ter amor,
ter tudo isso já faz
de você realizador.
 
Seja sempre inquieto
e vez por outra paciente.
Parece contraditório,
soa meio diferente,
às vezes pisar no freio
também é andar pra frente.
 
A vida não é tão simples,
viver não é só sorrir,
a lagarta que rasteja
rasteja pra evoluir,
se transforma em borboleta,
depois voa por aí…
 
 Bráulio Bessa - Poesia que transforma
Sobre o Autor -
Bráulio Bessa nasceu em 1985, no município de Alto Santo,
no interior do Ceará. Desde criança ele admira e consome poesia nordestina, 
além de frequentar cantorias de viola na cidade e de participar de grupos de teatro 
de rua. Ou seja, o poeta sempre teve uma veia cultural muito forte.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

FILHOS E BRINQUEDOS...(Entrevista - Francesco Tonucci)

 

“Gastamos muito para encher nossos filhos de brinquedos, convertendo-os de brincadores para possuidores”

POR JULIA DIETRICH

 

“As crianças precisam de mais liberdade e alguns brinquedos, devem ser autônomos, brincar com os amigos e, na medida do possível, ir para a escola, caminhando, sozinhos e a pé. É assim que Francesco Tonucci, pedagogo e pensador italiano resume sua filosofia e agenda política. Ele, que é autor e promotor do conceito “Cidade das Crianças”, um projeto que aposta na transformação das cidades por meio das crianças que nela habitam, defende que todas as políticas urbanas deveriam se estabelecer para garantir o direito ao brincar das crianças.


Célebre por ser “radical na defesa da infância”, o autor também publica sob o pseudônimo Frato uma série de quadrinhos em que discute, de forma irônica, o cenário escolar e a estrutura familiar contemporânea, que muitas vezes, impede a criatividade e a possibilidade de criação e reinvenção das crianças.

 

Em entrevista ao site El Intransigente, periódico Argentino, Tonnucci, que esteve no país em agosto deste ano, afirmou que os pais precisam deixar de superproteger seus filhos e permitir que desenvolvam suas próprias experiências de autonomia, entendendo o brincar para o pleno desenvolvimento das pessoas.

 

Confira a entrevista do pedagogo ao portal, traduzida para o português pelo Centro de Referências em Educação Integral.

 

El Intransigente: É fundamental que as crianças brinquem, mas quão importante isso é?

Francesco Tonucci: O brincar está conectado de uma

maneira muito forte com o movimento e com a autonomia. Temos que ajudar os adultos a entender a importância disso. Para explicar, lhe conto uma anedota; meu filho mais novo chegou do seu primeiro dia na escola primária e me contou “a professora nos disse que agora é hora de parar de brincar, temos que levar as coisas a sério.” Essa foi a mensagem da escola ao meu filho. E, desde então, venho tentando dizer às pessoas que esta é uma frase absurda, equivocada e perigosa. Não tenho dúvidas que os primeiros anos são os mais ricos e importantes na vida de uma pessoa; é o período em que se fundam todos nossos cimentos.

 

Garantir o direito ao brincar é chave para desenvolvimento integral de crianças

 

A “Cidade das Crianças” é uma iniciativa que nasceu em 1991, em Fano, na Itália, e apresentou uma nova filosofia de governança dos municípios, tomando as crianças como parâmetro e como garantia das necessidades de todos os cidadãos. Inspirados no projeto, nasceu a rede de cidade das crianças. Em Roma, na Itália, as crianças passaram a compor um parlamento infantil, capaz de incidir sobre as políticas públicas locais.

 

El Intransigente: E o jogo ajuda…

Tonucci: Nestes anos iniciais não existem professores no sentido público, não existem métodos. Simplesmente há uma criança que brinca com o mundo. Essa é a importância do jogo; ele é uma experiência em que as crianças vivem no nível espontâneo e não é necessário ensiná-las isso. É brincando que as crianças têm sua primeira relação com o mundo.

 

El Intransigente: Todo tipo de brincar é valioso? Brincar ao ar livre é o mesmo que brincar no computador?

Tonucci: Brincar é uma experiência que tem algumas

características: sair no sentido de não ficar sob controle direto dos adultos, encontrar-se com amigos, aproveitando um tempo livre para viver a experiência da aventura, do descobrimento, da surpresa, da maravilha, do risco. Tendo estes elementos, todos os jogos são bons. Inclusive os tecnológicos.


El Intransigente: Por que é importante que as crianças brinquem sozinhas?

Tonucci: Não é possível brincar acompanhado de adultos. Quando os pais dizem, “acompanho meus filhos todos os dias para que brinquem na praça” é uma contradição. O verbo brincar só se conjuga com o verbo deixar. Na Europa é impressionante, mas aqui [na Argentina] também creio que acontece, em especial nas classes sociais mais ricas; para uma criança é quase impossível sair sozinho pelas ruas. E isso os impede essa experiência básica.

 

Muitas vezes nós, adultos, pensamos em substituir esta experiência que desfrutamos nós mesmos e parece que as crianças não conseguem viver. Substituímos isso comprando muitos brinquedos, dando instrumentos que permitem que a criança passe muito tempo se entretendo sozinho em casa, especialmente com as novas tecnologias, e os acompanhando em todos os lugares. Todas respostas inadequadas. Estamos gastando muito dinheiro para encher nossos filhos de brinquedos, convertendo-os de “brincadores” para consumidores, “possuidores”. Para brincar bem, é preciso ter poucos brinquedos, mas amigos para aproveitá-los.

 

El Intransigente: O que oferece o brincar a uma criança?

Tonucci: Lhe permite descobrir o mundo. É uma maneira de encontrar-se com o desconhecido. Significa viver a experiência do risco, de saltar o obstáculo, viver o desafio de superá-lo ou não. Ver se hoje posso fazer o que antes não podia, se posso superar meu medo de viver esta experiência.


El Intransigente: Por que é importante viver a experiência do risco?

Tonucci: Se não é possível, vamos criar uma acumulação de desejos e de necessidade de transgressão que se expressarão mais tarde, na adolescência, quando um garoto tem autonomia suficiente como as chaves de casa no bolso ou quando essa expressão de seu desejo se converte em uma explosão perigosa.

 

Muitas das questões que hoje tratamos como os dramas da adolescência, como abuso de álcool, de drogas, acidentes de

moto, – até os casos de suicídio juvenil -, tem a ver com a falta de experiências de autonomia nos primeiros anos de vida da criança. É vivendo a experiência do obstáculo que nos damos conta de que não podemos superá-lo e é aí que vivemos a desilusão. E a desilusão também é uma experiência que as crianças não vivem porque seus pais os superprotegem.


FONTE - https://educacaointegral.org.br/reportagens/gastamos-muito-dinheiro-para-encher-nossos-filhos-de-brinquedos-convertendo-os-de-brincadores-para-possuidores/  Publicado em  30/10/2014

 


Sobre Francesco Tonucci - pensador, psicólogo educacional e cartunista italiano, que dedicou muitos de seus trabalhos à reflexão sobre a infância e a educação.

 

Julia Nader Dietrichs – jornalista, pesquisadora, foi gestora do Centro de Referências em Educação Integral.


OBS - Grifos feitos por mim,