quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

**A ENTREVISTA MUSICAL


* QUANDO VOCÊ NASCEU? Eu nasci, a dez mil anos atrás, e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais... (Raul Seixas)

* ONDE VOCÊ MORA? Moro num país tropical. Abençoado por Deus e bonito por natureza. Oh, que beleza! Oh, que beleza! (Ivete Sangalo)

* UMA META NA VIDA? Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar... (Roberto Carlos)

* QUAL O SEGREDO PARA VOCÊ MANTER-SE JOVEM? É o amor, que mexe com minha cabeça e me deixa assim. Que faz eu lembrar de você e esquecer de mim. Que faz eu entender que a vida é feita para viver... (Zezé de Camargo e Luciano)

* NOS MOMENTOS DE AFLIÇÃO A QUEM VOCÊ RECORRE? Jesus Cristo, Jesus Cristo, eu estou aqui... (Roberto Carlos)

* O QUE VOCÊ FAZ E RECOMENDA DIANTE DOS PROBLEMAS E DIFICULDADES? Toda pedra do caminho, você pode retirar, numa flor que tem espinhos você pode se arranhar, Se o bem e o mal existem, Você pode escolher, É preciso saber viver, É preciso saber viver... (Titãs)

* COMO VOCÊ SE SENTE QUANDO ESTÁ DISTANTE DAS PESSOAS QUE MAIS GOSTA? Avião sem asa, fogueira sem brasa. Sou eu assim sem você. Futebol sem bola, Piu-Piu sem Frajola. Sou eu assim sem você... (Claudinho e Buchecha)

* NA ESCOLA OU TRABALHO AO ENCONTRAR COM AS PESSOAS O QUE GOSTARIA DE PENSAR SOBRES ELAS? Amigos, pra sempre, bons Amigos que nasceram pela fé, Amigos, pra sempre, para sempre amigos sim, se Deus quiser. (Luan Santana)

* SE ENCONTRAR ALGUM OBSTÁCULO QUE VENHA A TE DESANIMAR OU A TE DEIXAR COM PREGUIÇA DE SEGUIR EM FRENTE, O QUE VOCÊ FARÁ? Veja, não diga que a canção, está perdida, tenha em fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!... (Raul Seixas)


* DIANTE DE BONS MOMENTOS O QUE VOCÊ FAZ DIANTE DELES? Extravasa. Libera e joga tudo pro ar. Eu quero ser feliz antes de mais nada. Extravasa. Libera e joga tudo pro ar, ar, ar, ar, ar, ar, ar...(Cláudia Leite)

* EM QUE VOCÊ PENSA NO FINAL DE UM LONGO DIA, SEJA ELE BOM OU RUIM? Mas é claro que o sol vai voltar amanhã. Mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã. Espera que o sol já vem... (Legião Urbana)

* O QUE VOCÊ TEM VONTADE DE FAZER QUANDO APRENDE ALGO COM FACILIDADE OU TEM SUCESSO DIANTE DE ALGUMA ATIVIDADE? Ah! Se o mundo inteiro. Me pudesse ouvir, tenho muito prá contar, dizer que aprendi... (Tim Maia)

* E NO FINAL DE TUDO O QUE DIZER... Valeu a pena, Êh! Êh! Valeu a pena, Êh! Êh! (O Rappa)

*  O QUE VOCÊ DIRIA PARA AS PESSOAS DESANIMADAS? Canta, canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá. Canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar. Que a vida vai melhorar, que a vida vai melhorar. (Martinho da Vila)

* E SOBRE SEUS SONHOS? Os sonhos mais lindos sonhei, de quimeras mil um castelo ergui, e no seu   olhar, tonto de emoção, com sofreguidão mil venturas vivi. (Elis Regina)

* O QUE VOCÊ ESPERA QUE ACONTEÇA AO FINAL DE MAIS UM ANO? E vai rolar a festa, vai rolar... (Ivete Sangalo)



**Autoria Desconhecida - Texto de circulação na internet.

 

 

 

 


terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

 

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.




Sobre o Autor - Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, farmacêutico, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Nascimento: 31 de outubro de 1902, Itabira, Minas Gerais. Falecimento: 17 de agosto de 1987, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro



sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Criança diz cada uma…

 

Adultos são o que as crianças se tornam depois que começam

 a produzir hormônios e a largar sonhos pelo caminho. E é

 assim que nos tornamos maduros, responsáveis e

 burrocráticos.”  – Pedro Bloch.

 

 Aos 14 anos, mais ou menos quando descobri o quanto a educação me fascinava, descobri também uma coleção de revistas Pais e Filhos da minha mãe, da época de gravidez (86-87). Antigas, amareladas, mas com um grande tesouro dentro: uma coluna chamada “Criança diz cada uma…”, assinada pelo médico, dramaturgo e escritor de livros infantis Pedro Bloch.

Em todas as edições, ele recolhia algumas das tiradas engraçadas que saiam das boquinhas de seus pacientes, em seu consultório pediátrico, ou que haviam sido contadas a ele por pais ou professores:

Um menino de três anos foi com seu pai ver uma ninhada de gatinhos que haviam acabado de nascer. De volta a casa, contou, com excitação, para sua mãe que havia gatinhos e gatinhas.

 Como você soube disso? — perguntou a mãe.

Papai os levantou e olhou por baixo —, respondeu o menino. — Acho que ali estava a etiqueta. 

Não sei quantas tardes passei folheando essas preciosidades! Eu me divertia horrores, enquanto prometia pra mim mesma que nunca iria engessar meu pensamento sobre as crianças.

Hoje percebo que temos tantas pequeninas fontes preciosas na nossa frente, e a tendência é não darmos valor… como mãe, porque o dia-a-dia é corrido, porque estamos sempre cansadas; como professora, porque temos muitas competências a atingir, objetivos a alcançar, tarefas a completar… porque são muitos alunos ao mesmo tempo… A convivência e o relacionamento adulto-criança estão tão rasos!!

Acho essencial separar tempo pra ouvi-los. Assim, nós legitimamos o que eles sentem e pensam. Quando os escutamos e apreciamos isso, eles percebem que tem voz ativa e isso muda seu comportamento e sua visão de si mesmos; deixa-os livres para construir hipóteses, fazer colocações… Ensaiar e aprimorar o seu entendimento do mundo.

Vamos prestar atenção, dar tempo e oportunidade pra que os pequenos digam o que pensam? É importante pra eles, mas também é muito bom pra nós!

É uma delícia ver o mundo pelos olhinhos deles! Dê-se o direito de voltar a ser criança! E digo mais: há coisas que só uma criança consegue enxergar…

Além de tirar muita foto e gravar muito vídeo (nem tanto, ultimamente…), faço questão de anotar as frases e acontecimentos engraçados do Davi, desde que ele começou a falar.

Tenha esse hábito também! É muito gostoso ver o desenvolvimento do raciocínio, sem contar que serve pra matar saudades, e pra depois mostrar pro guri, quando estiver mais crescido!

Aqui estão alguns trechos da coletânea de “preciosidades” do Pedro Bloch, o Dicionário de Humor Infantil – Frases do cotidiano de crianças de 3 a 11 anos (infelizmente, já fora de catálogo):

ADULTO: “É uma pessoa que sabe tudo, mas quando não sabe diz logo: ‘veja na enciclopédia’.”

 ALEGRIA: “É um palhacinho no coração da gente.”

 AMAR: “É pensar no outro, mesmo quando a gente nem tá pensando.”

BOCA: “É a garagem da língua.”

 BONITA: “Se eu sou bonita ou inteligente? Se eu sou bonita, você vê na cara. E se eu sou inteligente, nem respondo a uma pergunta boba dessas.”

 CABELO: “É uma coisa que serve pra gente não ficar careca.”

 CALCANHAR: “É o queixo do pé.”

 CHOCOLATE: “É uma coisa que a gente nunca oferece aos amigos porque eles aceitam.”

 


COBRA: “É um bicho que só tem rabo.”

 CRIANÇA: “Ser criança é não estragar a vida.”

 DISTÂNCIA: “A Europa fica mais longe que a Lua. A Lua eu vejo.”

 ESCURO: “Tenho mais medo de avião que de escuro. É que escuro não voa, nem cai.”

 ESPERANÇA: “É um pedaço da gente que sabe que vai dar certo.”

 FUTEBOL: “É um jogo em que, às vezes, a trave joga melhor que o goleiro. Pega tudo.”

 FUTURO: “É tudo que vem depois e, quando chega, já era.”

 GÊMEAS: “Eu vi duas meninas de cara repetida.”

 


HORA: “A melhor hora da minha escola é a hora da saída.”

JARDIM ZOOLÓGICO: “O bicho que eu mais gostei, no jardim zoológico, foi o vendedor de sorvete.”

 MISTÉRIO: “É uma coisa que a gente não sabe explicar direito e, quando explica, já não é.”

 NEVOEIRO: “É poeira do frio.”

 


PACIÊNCIA: “É uma coisa que mamãe perde sempre.”

PAI: “Ser pai é mais difícil que ser mãe. Pai precisa usar gravata.”

POLUIÇÃO: “É sujeira do progresso.”

QUANDO PUDER: “É muito tarde.”

REDE: “É uma porção de buracos amarrados com barbante.”

REFLEXO: “É quando a água do lago se veste de árvores.”

RELÂMPAGO: “É um barulho rabiscando o céu.”

SAUDADE: “É quando uma pessoa que devia estar perto está longe.”

SOL: “Eu não errei na prova. Só disse que o Sol nasce no nascente e dorme no dormente.”

SONO: “É saudade de dormir.”

 SORTE: “É a gente acordar, se preparar pra ir pra escola e descobrir que é feriado nacional.”

 STRIP-TEASE: “É mulher tirando a roupa toda, na frente de todo mundo, sem ser pra tomar banho.”

VEIAS: “São raízes que aparecem no pescoço das meninas que gritam.”

 VIDA: “A vida a gente não explica. Vive.”

 



FONTE - https://minutocrianca.wordpress.com/2014/02/19/crianca-diz-cada-uma/


P
edro Bloch foi um médico foniatra, jornalista, compositor, poeta, dramaturgo e autor de livros infanto-juvenis russo naturalizado brasileiro. Escreveu mais de cem livros. Nascimento: 17 de junho de 1914, Jitomir, Ucrânia. Falecimento: 23 de fevereiro de 2004, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.



domingo, 24 de dezembro de 2023

SONHOS COM MARIA - O Coração parou para ter o NATAL COM ELA. (Nelson Peixoto)

 

Fim de tarde. Acabara de entregar uma sandália para meu amigo. Calçou, ouvindo as palavras que saíam de mim. "Caminhe nos passos de Jesus, siga com a Mãe dEle que sempre te cuidou. Ela não vai deixar de te amar, assim como és".

A partir desse momento, começou a me contar um momento difícil de sua vida. Fora jogado fora do emprego sem receber nada, depois de 9 anos. Buscou seus direitos e venceu recebendo um bom dinheiro.

Mas seu coração estava angustiado por ter resolvido acabar o amor da mulher com quem pretendia casar. Esta queria que ele comprasse uma casa, perto da mãe dela, o que não admitia, por mais que tivesse o dinheiro da causa trabalhista que ganhara. O seu coração padecia porque balançava entre a realidade e a falta de certeza se a noiva o amava, ou se só queria se aproveitar do dinheiro que recebera. A certeza era que ele a amava intensamente e sofria por isso, ao ponto de entrar num estado depressivo, depois de terminar.

Meu amigo contava esta sua história, lacrimejando, mas referindo-se ao amor pela Mãe de Jesus, em termos bem afetivos, passando a falar de seu sonho com a "Santa Maria, minha mãezinha", como repetia.

Daí, certa noite, adormecera com o coração triste, sem saber se livrar de sua paixão paralisante e sem saber como seguir adiante. Antes, rezou para Santa Maria, pedindo socorro e adormeceu em lágrimas.

Contou-me seu sonho. Maria aparecia com uma luz que secava suas lágrimas, falava-lhe, carinhosamente e dizia que esqueceria seu amor perdido e encontrariam novos caminhos para seguir sua vida.

Acordou e, durante mais duas noites, sonhou com a Santa Maria e foi ajustando sua nova vida. Com o dinheiro da causa trabalhista, comprou roupa para sua mãe e sua irmã caçula, que tanto amava, contando-me o milagre que acontecera com sua sobrinha que nascera prematura, do tamanho da sandália que lhe presenteara. A vizinhança ajudou a cuidar da pequena que viveu, apesar da declaração do médico que não resistiria.

Preciso dizer que este meu amigo é morador de rua, dependente de álcool, que nessa tarde estava lúcido, pois fora comprar banana para uma idosa que lhe protegia e o acudia, quando as consequências do álcool lhe espreitavam, dramaticamente. Ela sempre o via, quando chegava alcoolizado e deitava no banco da praça. Era uma mulher que vivia com seu marido e um filho, parecendo-me um fiel espelho de algumas virtudes de Maria, a cheia de graça, para distribuir aos desvalidos.

Estou pensando ser esta senhora, magrinha e idosa, a imagem viva da Santa Maria que o acudia nas horas mais difíceis. Eu a conheci e fiquei impressionado com seu jeito meigo e doce de falar. Deu-me a entender que já me conhecia pelas vezes que, eu sentado, conversava com meu velho amigo. Diante da moldura que enquadrei essa passagem da vida de meu amigo, algumas perguntas chegam à minha mente:

Quem o ensinara a ter amor a Santa Maria? Que graças Deus concedera para que cada noite, rezasse e pedisse proteção da Mãe de Jesus, antes de deitar-se debaixo das pontas dos telhados, mesmo alcoolizado?

Enfim, minha fé se dobra e afirma que a Redenção foi tão copiosa que ninguém escapou do olhar amoroso de Maria, a Mãe do Perpétuo Socorro, tal como escrevera S. AFONSO.


PS. Este meu amigo faleceu de parada cardíaca, alguns dias antes do Natal deste ano de 2023, para estar no "presépio vivo" de Maria e se sentir amigo de São José para sempre. Ficara doente em situação que fez a sua "anja da guarda" pedir ajuda da polícia, encontrando os filhos. Acolhido e levado ao hospital, teve alta, mas morreu em casa, entre os seus, perdoando e sendo perdoado.


Fonte-https://peixotonelson.wixsite.com/my-site/post/sonhos-com-maria-o-coração-parou-para-ter-o-natal-com-ela 


Sobre o Autor - Nelson Peixoto  -  Filósofo, Contador de histórias,

Escritor de artigos de sua experiência de vida. Foi conselheiro de Direitos da Infância, Professor universitário, Gestor das Aldeias Infantis SOS Brasil,  por 26 anos, em Manaus e Brasília onde se empenhou com dedicação ao fortalecimentos de laços entre as crianças, os jovens e as famílias em situação de risco e vulnerabilidade social.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Poema de Natal (Cora Coralina)



Enfeite a árvore de sua vida
com guirlandas de gratidão!
Coloque no coração laços de cetim rosa,
amarelo, azul, carmim,
Decore seu olhar com luzes brilhantes
estendendo as cores em seu semblante


Em sua lista de presentes
em cada caixinha embrulhe
um pedacinho de amor,
carinho,
ternura,
reconciliação,
perdão!

Tem presente de montão
no estoque do nosso coração
e não custa um tostão!
A hora é agora!
Enfeite seu interior!
Sejas diferente!
Sejas reluzente!


Sobre a Autora - Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965, quando já tinha quase 76 anos de idade, apesar de escrever seus versos desde a adolescência.
Todas as reações:

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Poema Assim Mesmo (Madre Teresa de Calcutá)



“Muitas vezes as pessoas

são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.
 
Se você é gentil,
as pessoas podem acusá-lo de interesseiro.
Seja gentil assim mesmo.
 
Se você é um vencedor,
terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
 
Se você é honesto e franco,
as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo.
 
O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
 
Se você tem paz e é feliz,
as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.
 
O bem que você faz hoje,
pode ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo.
 
Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode não ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
 
Veja você que, no final das contas,
é tudo entre você e Deus.
Nunca foi entre você e os outros.”
Sobre a Autora - Anjezë Gonxhe Bojaxhiu M.C. conhecida como Madre Teresa
de Calcutá ou Santa Teresa de Calcutá, foi uma religiosa católica
de etnia albanesa  naturalizada indiana, fundadora da congregação das 
Missionárias da Caridade, cujo carisma é o serviço aos mais pobres dos pobres 
por meio da vivência do Evangelho de Jesus Cristo. Em 2015, 
a congregação fundada por ela contava com mais de 5 mil membros em 139
países. Por seu serviço aos pobres, tornou-se conhecida ainda em vida pelo codinome 
de "Santa das Sarjetas". Madre Teresa teve o seu trabalho reconhecido ao longo 
da vida por instituições dentro e fora da Índia, recebendo o Prêmio Nobel da Paz em 1979. 
É considerada por alguns como a missionária do século XX. Foi beatificada em 2003 
pelo Papa João Paulo II e canonizada em 2016 pelo Papa Francisco na Praça de São Pedro,
no Vaticano. Nasceu em 26 de agosto de 1910. Escópia, Macedônia do Norte. Faleceu em 
5 de setembro de 1997, Calcutá, Índia.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

QUANDO ME AMEI (Carlos Drummond de Andrade)

 

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome… AUTOESTIMA.

Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é… AUTENTICIDADE.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… AMADURECIMENTO.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… RESPEITO.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… pessoas, tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me deixasse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… AMOR-PRÓPRIO.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… SIMPLICIDADE.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes. Hoje descobri a… HUMILDADE.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar muito com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… PLENITUDE.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é…. SABER VIVER!

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.


Sobre o Autor - Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, farmacêutico, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Nasceu em 31 de outubro de 1902, em Itabira, Minas Gerais. Faleceu em 17 de agosto de 1987, no Rio de Janeiro, RJ.