segunda-feira, 30 de novembro de 2020

A corrida da vida (Bráulio Bessa)

 

    Na corrida dessa vida
é preciso entender
que você vai rastejar,
que vai cair, vai sofrer
e a vida vai lhe ensinar 
que se aprende a caminhar 
e só depois a correr.


A vida é uma corrida
que não se corre sozinho.
E vencer não é chegar,
é aproveitar o caminho
sentindo o cheiro das flores 
e aprendendo com as dores
causadas por cada espinho.

 
Aprenda com cada dor, 
com cada decepção,
com cada vez que alguém
lhe partir o coração. 
O futuro é obscuro
e às vezes é no escuro 
que se enxerga a direção.


Aprenda quando chorar
e quando sentir saudade, 
aprenda até quando alguém 
lhe faltar com a verdade. 
Aprender é um grande dom. 
Aprenda que até o bom
vai aprender com a maldade.

  
Aprender a desviar
das pedras da ingratidão, 
dos buracos da inveja,
das curvas da solidão, 
expandindo o pensamento
fazendo do sofrimento
a sua maior lição.


Sem parar de aprender, 
aproveite cada  flor, 
cada cheiro no cangote, 
cada gesto de amor, 
cada música dançada 
e também cada risada,
silenciando o rancor. 


Experimente o mundo, 
prove de todo sabor,
sinta o mar, o céu e a terra,
sinta o frio e o calor, 
sinta sua caminhada
e dê sempre uma parada 
pelo caminho que for. 


Pare, não tenha pressa, 
não carece acelerar,
a vida já é tão curta,
é preciso aproveitar
essa estranha corrida 
que a chegada é a partida 
e ninguém pode evitar! 


Por isso é que o caminho 
tem que ser aproveitado, 
deixando pela estrada
algo bom pra ser lembrado,
vivendo uma vida plena,
fazendo valer a pena 
cada passo que foi dado. 


Aí sim, lá na chegada, 
onde o  m é evidente,
é que a gente percebe 
que foi tudo de repente, 
e aprende na despedida 
que o sentido da vida 
é sempre seguir em frente. 



Sobre o autor - Bráulio Bessa nasceu no município de Alto Santo, no Sertão do Ceará, no ano de 1986. Com 14 anos aprendeu a amar a poesia de seu conterrâneo Patativa do Assaré (1909-2002). Depois que uma professora passou um trabalho escolar de pesquisa sobre o grande poeta de cordel.


Fonte - https://www.brauliobessa.com/post/a-corrida-da-vida

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Ensinar FELICIDADE...

 


Como ensinar a nossos filhos a arte da felicidade

Quando eu penso sobre o que eu quero para meus filhos enquanto eles crescem, eu penso no tipo de pessoa que eu gostaria que eles se tornassem: Adultos que são gentis, atenciosos e agradecidos, que riem com frequência e encontram paixão na vida. Espero que eles se envolvam com o que lhes traz alegria, que encontrem uma carreira que amam e que criem relacionamentos cativos com pessoas que os apreciem tanto quanto eu. Acima de tudo, quero que sejam felizes.

Como pais, é nosso trabalho guiar nossos filhos nas mais diversas áreas. Nós os treinamos no banheiro, ensinamos a eles autocuidado e boas maneiras, ensinamos a eles como ler, o que fazer em uma emergência, como atravessar a rua com segurança. Podemos ensiná-los a tocar um instrumento musical ou um esporte. Mas podemos ensinar-lhes como ser felizes?

Mike Ferry, professor de longa data do ensino médio, pai de quatro filhos e autor de Ensinando Felicidade e Inovação , afirma que podemos. Ao contrário do que muitos acreditam, o sucesso nem sempre traz felicidade; mas a pesquisa mostrou que o inverso é verdadeiro - pessoas mais felizes têm maior probabilidade de ter sucesso na escola, no trabalho e em suas vidas pessoais. Ferry define a felicidade como "uma perspectiva otimista, comunitária e disciplinada da vida".

Quanto mais felizes somos, mais bem sucedidos nos tornamos. E graças à plasticidade de nossos cérebros, Ferry explica que felicidade e inovação podem ser ensinadas, nutridas e praticadas. Ele prossegue dizendo o que Shawn Anchor da A Vantagem da Felicidade expressou: que quando estamos numa atitude positiva, “nossos cérebros se tornam mais engajados, criativos, motivados, enérgicos, resilientes e produtivos no trabalho”.

Acontece que podemos ensinar nossos filhos a serem felizes incentivando certos hábitos.

O primeiro é gratidão. Ensinar as crianças a serem gratas em um mundo de superabundância pode parecer uma tarefa assustadora. É fácil ser sugado pela mentalidade de consumo da sociedade; as crianças são constantemente inundadas com a ideia de que mais é melhor e precisam do próximo novo gadget ou brinquedo e depois para o próximo.

Mas a importância de dizer "não" às crianças para transmitir uma atitude de gratidão não pode ser exagerada. Ajude-os a se concentrar em ser gratos pelo que eles já têm e não no que eles querem em seguida. Outra maneira de ensinar isso é adquirir o hábito de observar um “momento de gratidão” todos os dias. Isso pode acontecer ao acordar ou quando a família se reúne ao redor da mesa de jantar. Reserve um momento para refletir e, em seguida, dê a volta na mesa, revezando-se em compartilhar uma coisa pela qual você é grato. Para crianças mais velhas, incentive-as a manter um diário de gratidão. Praticar a gratidão diariamente pode religar nossos cérebros para reconhecer a apreciação, em vez de insistir em decepções. Por sua vez, nos tornaremos mais felizes.

A bondade é outra habilidade que podemos ensinar aos nossos filhos para ajudá-los a encontrar maior felicidade. Ferry destaca a pesquisa que mostrou uma ligação entre a dopamina e a bondade químicas do cérebro “sentir-se bem”. Agir com bondade aumenta o fluxo de dopamina no cérebro do doador, fazendo-o sentir-se feliz.

Podemos incentivar a bondade das crianças em primeiro lugar, modelando-as em nossos lares. Seja gentil, especialmente durante desentendimentos, e elogie mesmo pequenos atos de bondade. Ensine a tolerância, destaque oportunidades de retribuir à sua comunidade e voluntarie-se como uma família, se possível.

Casas felizes também podem inspirar mentes criativas. Nossos cérebros, e os de nossos filhos, são mais receptivos a novas informações quando estamos relativamente livres de estresse, felizes e engajados, de acordo com Ferry. Isso significa que a felicidade é crucial para o aprendizado e o pensamento crítico. Podemos inspirar criatividade, apoiando o humor, a curiosidade e a mente aberta em casa.

Incentivar ideias criativas de crianças pode vir na forma de incluí-las nas decisões da família (como planejar férias ou projetar quartos). Você também pode jogar jogos que envolvem perguntas abertas para inspirá-los a pensar criticamente. Permitir que as crianças tenham bastante tempo para brincadeiras não estruturadas também ajuda. 

O livro de Ferry contém uma lista maravilhosamente detalhada de sugestões e exemplos.

Também devemos celebrar as pessoas não convencionais em nossas vidas falando sobre como algumas das pessoas mais não convencionais do mundo tiveram grande impacto (pense em Mahatma Gandhi, Albert Einstein, Nelson Mandela e Thomas Edison).

A felicidade não é algo que cai do céu e no colo de nossos filhos. É um estado de espírito maravilhosamente complexo que pode ser fortalecido com a prática. E estou disposto a apostar que todos nós queremos que nossos filhos experimentem a felicidade e a alegria na vida.


FONTE  -  https://saudavelefeliz.net.br/como-ensinar-a-nossos-filhos-a-arte-da-felicidade+239815 2/9 em 22/09/2020.

Publicado originalmente no The Whashington Post - Escrito por  Lauren Knight

Grifos feitos por mim.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

UM POEMA CONTRA A GUERRA (GIANNI RODARI)

 

LEMBRETE


HÁ COISAS PARA FAZER TODOS OS DIAS: 

LAVE, ESTUDE, BRINQUE

PREPARE A TABELA,

AO MEIO-DIA.


HÁ COISAS PARA FAZER À NOITE:

FECHE OS OLHOS, SONO,

TENHA SONHOS PARA SONHAR,

ORELHAS PARA OUVIR.


EXISTEM COISAS QUE VOCÊ NUNCA DEVE FAZER,

NEM DIA  NEM NOITE

NEM POR MAR  NEM POR TERRA: 

POR EXEMPLO, A GUERRA!





Fontes - https://www.mammaleggiamoinsieme.it/2015/11/una-poesia-contro-la-guerra-di-gianni.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gianni_Rodari

Imagem retirada da internet.

Sobre o autor - Gianni Rodari Nasceu em Omegna em 23 de outubro de 1920, faleceu em 14 de abril
de 1980 com 59 anos em Roma. Foi jornalista, escritor e poeta especializado em literatura infantil. 

Recebeu o prêmio Hans Christian Andersen em 1970.
 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

O Primeiro da Classe (Front of the Class) - filme.

Filme estadunidense produzido para a televisão que narra a história real de Brad Cohen, um professor americano que convive com a Síndrome de Tourette desde os 6 anos.  

Desde a infância, Brad foi humilhado na escola por alunos e também por sua professora por ter Síndrome de Tourette. 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Mucize - filme turco (anos 60) baseado em uma história real.

 

**Mucize significa milagre; um evento incomum que é inexplicado pelas leis científicas e é atribuído às forças divinas.

O filme conta sobre um professor que é enviado à um povoado nas montanha da Turquia. 

Ao chegar, foi bem recebido por todos do povoado, mas se surpreende por não existir nenhuma escola, onde deveria dar aulas.

Procura  resolver o problema cobrando das autoridades, a responsabilidade das mesmas sobre a educação das crianças  do povoado. 

Depois da conversa sem resultado sobre a construção da escola, teria que voltar a sua cidade. 

Sensibilizado com a tristeza dos anciãos pela "possibilidade da sua não permanência", resolve ficar.

A história nos apresenta alguns costumes daquela época - como os jovens se casam, a proibição de estudo para as mulheres...

No povoado tem uma figura estranha - Aziz - um homem deficiente, que dentre muitas dificuldades, também não fala. Aziz é constantemente incomodado pelas crianças do povoado. 

O jeito de ser de Aziz, desperta a curiosidade pedagógica (humana) do professor.

E... vale a pena assistir!!!


**https://educalingo.com/pt/dic-tr/mucize 


Ficha técnica 

Título: Mucize (Original)

Produção: Murat Tokat

Ano produção: 2015

Dirigido por : Mahsun Kirmizigül

Estreia mundial: 1 de Janeiro de 2015 

Duração: 136 minutos

Classificação 12 - Não recomendado para menores de 12 anos

Gênero: Comédia, Drama, Romance

Países de Origem: Turquia

Música composta por: Mahsun Kırmızıgül, Yıldıray Gürgen, Tevfik Akbaşlı


   

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Ensinar a alegria (Rubem Alves)


Muito se tem falado sobre o sofrimento dos professores.

Eu, que ando sempre na direção oposta, e acredito que a verdade se encontra no avesso das coisas, quero falar sobre o contrário: a alegria de ser professor, pois o sofrimento de se ser um professor é semelhante ao sofrimento das dores de parto: a mãe o aceita e logo dele se esquece, pela alegria de dar à luz um filho.

Reli, faz poucos dias, o livro de Hermann Hesse, O Jogo das Contas de Vidro. Bem ao final, à guisa de conclusão e resumo da estória, está este poeminha de Rückert:

Nossos dias são preciosos

mas com alegria os vemos passando

se no seu lugar encontramos

uma coisa mais preciosa crescendo:

uma planta rara e exótica,

deleite de um coração jardineiro,

uma criança que estamos ensinando,

um livrinho que estamos escrevendo

Este poema fala de uma estranha alegria, a alegria que se tem diante da coisa triste que é ver os preciosos dias passando… A alegria está no jardim que se planta, na criança que se

ensina, no livrinho que se escreve. Senti que eu mesmo poderia ter escrito essas palavras, pois sou jardineiro, sou professor e escrevo livrinhos.

Imagino que o poeta jamais pensaria em se aposentar. Pois quem deseja se aposentar daquilo que lhe traz alegria? Da alegria não se aposenta… Algumas páginas antes o herói da estória havia declarado que, ao final de sua longa caminhada pelas coisas mais altas do espírito, dentre as quais se destacava a familiaridade com a sublime beleza da música e da literatura, descobria que ensinar era algo que lhe dava prazer igual, e que o prazer era tanto maior quanto mais jovens e mais livres das deformações da deseducação fossem os estudantes.

Ao ler o texto de Hesse tive a impressão de que ele estava simplesmente repetindo um tema que se encontra em Nietzsche. O que é bem provável. Fui procurar e encontrei o lugar onde o filósofo (escrevo esta palavra com um pedido de perdão aos filósofos acadêmicos, que nunca o considerariam como tal, porque ele é poeta demais, “tolo” demais…) diz que “a felicidade mais alta é a felicidade da razão, que encontra sua expressão suprema na obra do artista. Pois que coisa mais deliciosa haverá que tornar sensível a beleza? Mas “esta felicidade suprema,” ele acrescenta, “é ultrapassada na felicidade de gerar um filho ou de educar uma pessoa.”

Passei então ao prólogo de Zaratustra.

Quando Zaratustra tinha 30 anos de idade deixou a sua casa e o lago de sua casa e subiu para as montanhas. Ali ele gozou do seu espírito e da sua solidão, e por dez anos não se cansou. Mas, por fim, uma mudança veio ao seu coração e, numa manhã, levantou-se de madrugada, colocou-se diante do sol, e assim lhe falou: Tu, grande estrela, que seria de tua felicidade se não houvesse aqueles para quem brilhas? Por dez anos tu vieste à minha caverna: tu te terias cansado de tua luz e de tua jornada, se eu, minha águia e minha serpente não estivéssemos à tua espera. Mas a cada manhã te esperávamos e tomávamos de ti o teu transbordamento, e te bendizíamos por isso. 

Eis que estou cansado na minha sabedoria, como unia abelha que ajuntou muito mel; tenho necessidade de mãos estendidas que a recebam.

Mas, para isso, eu tenho de descer às profundezas, como tu o fazes na noite e mergulhas no mar… Como tu, eu também devo descer…

Abençoa, pois, a taça que deseja esvaziar-se de novo…

Assim se inicia a saga de Zaratustra, com uma meditação sobre a felicidade. A felicidade começa na solidão: uma taça que se deixa encher com a alegria que transborda do sol. Mas vem o tempo quando a taça se enche. Ela não mais pode conter aquilo que recebe. Deseja transbordar. Acontece assim com a abelha que não mais consegue segurar em si o mel que ajuntou; acontece com o seio, turgido de leite, que precisa da boca da criança que o esvazie. A felicidade solitária é dolorosa. Zaratustra percebe então que sua alma passa por uma metamorfose. Chegou a hora de uma alegria maior: a de compartilhar com os homens a felicidade que nele mora. Seus olhos procuram mãos estendidas que possam receber a sua riqueza. Zaratustra, o sábio, se transforma em mestre. Pois ser mestre e isso: ensinar a felicidade.

“Ah!”, retrucarão os professores, “a felicidade não é a disciplina que ensino. Ensino ciências, ensino literatura, ensino história, ensino matemática…” Mas será que vocês não percebem que essas coisas que se chamam “disciplinam’’, e que vocês devem ensinar, nada mais são que taças multiformes coloridas, que devem estar cheias de alegria?

Pois o que vocês ensinam não e um deleite para a alma? Se não fosse, vocês não deveriam ensinar. E se é, então é preciso que aqueles que recebem, os seus alunos, sintam prazer igual ao que vocês sentem. Se isso não acontecer, vocês terão fracassado na sua missão, como a cozinheira que queria oferecer prazer, mas a comida saiu salgada e queimada…

O mestre nasce da exuberância da felicidade. E, por isso mesmo, quando perguntados sobre a sua profissão, os professores deveriam ter coragem para dar a absurda resposta: “Sou um pastor da alegria…”

Mas, e claro, somente os seus alunos poderão atestar da verdade da sua declaração…


Sobre o autor - Rubem Azevedo Alves (Boa Esperança, 15 de setembro de 1933 — Campinas, 19 de julho de 2014) foi um psicanalista, educador, teólogo, escritor e pastor presbiteriano brasileiro. Foi autor de livros religiosos, educacionais, existenciais e infantis.


Fonte - https://www.revistaprosaversoearte.com/ensinar-alegria-rubem-alves/  – Rubem Alves, no livro “A alegria de ensinar”. São Paulo: Ars Poética Editora Ltda., 1994.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Alves#:~:text=Rubem%20Azevedo%20Alves%20(Boa%20Esperan%C3%A7a,%2C%20educacionais%2C%20existenciais%20e%20infantis 

Imagens da internet.

domingo, 23 de agosto de 2020

Sobre as mãos...


Observe suas Mãos (Autoria desconhecida)

Meu avô, com noventa e tantos anos, sentado no banco do jardim, não se movia.
Estava cabisbaixo, olhando suas mãos. Quando me sentei ao seu lado, nem notou minha presença.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

"A leitura é a atividade humana mais importante para a formação do ser". Roseana Murray


Poesia: Um Espaço de Liberdade
                                                                               Roseana Murray

Uma autora que encontra inspiração na própria infância, nas conversas com a criança solitária e sonhadora que foi.