terça-feira, 23 de março de 2021

A ARTE DE OUVIR (Rubem Alves)

 

    De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era o silêncio”. É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Veja este poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta:

Cessa o teu canto!

Cessa, que, enquanto

O ouvi, ouvia

Uma outra voz

Como que vindo

Nos interstícios

Do brando encanto

Com que o teu canto

Vinha até nós.

Ouvi-te e ouvia-a

No mesmo tempo

E diferentes

Juntas cantar.

E a melodia

Que não havia,

Se agora a lembro,

Faz-me chorar.

    A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar. Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por não haver o que dizer, tratamos logo de falar qualquer coisa, para pôr um fim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.

    Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é Aconteceu em Tóquio. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam por que no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não terem nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no vazio da jarra que se colocam flores.

    O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andrea, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita...” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, dona Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais.

Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete.

Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: “é exatamente como eu, eu...”, e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: “é exatamente como eu, eu...” Esta frase “é exatamente como eu...” parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...

    Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno (pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão por que há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não há cursos de “escutatória”. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.

    Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago para escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana Cem Mondialità, a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.

    Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro. Amamos não a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar...


Fonte - Downloads/Educacao/dos/sentidos/e/mais...(Rubem Alves).pdf

A ARTE DE OUVIR (Rubem Alves) In: ALVES, Rubem.  Educação dos Sentidos e Mais


Sobre o autor: Pedagogo, poeta, cronista, contador de histórias, ensaísta, teólogo, acadêmico e psicanalista, Rubem Alves, falecido em julho de 2014, deixou como autor um extenso legado literário. Era membro da Academia Brasileira de Letras, professor emérito da Unicamp e cidadão honorário de Campinas. Seu livro Ostra feliz não faz pérola, também publicado pela Planeta, conquistou o 2º lugar na categoria contos e crônicas no Jabuti 2009.

**Grifos feitos por mim.

sexta-feira, 12 de março de 2021

REFLEXÃO - Professores na pandemia: vidas são "obrigadas" a mudar!!!

Muitas vezes a forçada de barra para "esta mudança" são acompanhadas de ameaças diretas...


O textão da Quarentena

(E lá se vão duas semanas) 
                     De Kinha Fonteneles

Vai ser um textão do desabafo sim.
Acho que todo mundo passa por momentos de desespero de vez em quando. E se estamos em isolamento social, acho que esses momentos ficam mais rotineiros.

Essa foto não é de hoje.
Hoje eu estou bem. (Por enquanto)
Mas essa foto tem história.
Ela veio de uma crise de ansiedade depois não conseguir montar uma videoaula. E é sobre essas aulas que eu vim desabafar.


Eu tenho um total de 21 turmas. 
Em tempos comuns eu gasto - mais ou menos - 3 dias para montar aula, prova, exercícios e atividades.
Para conseguir dar aula para 21 turmas, eu fiz 5 anos de curso, mais 5 anos de faculdade mais duas pós.
Uma semana - contando 7 dias - se eu trabalho 3, às vezes 4 ou 5... Me sobra tempo para brincar com os cachorros, dormir, descansar, ler, ir para academia e fazer o que eu bem entender.

(Mas isso era antes da quarentena.)
No dia que essa foto foi batida, eu ouvi a seguinte frase (depois de pedir ajuda com programa de edição de vídeo): "Você tem que se virar sozinha. É tão simples, não é possível que vc não entenda." (A frase pode não ser essa ao pé da letra, mas sem dúvida o contexto é).

Eu não sou Youtuber.
Eu não sou blogueirinha.
Eu não ganho minha renda fazendo entretenimento virtual para outras pessoas.

EU SOU PROFESSORA.

E eu estudei muito pra chegar até aqui... E não fiz nada disso sozinha.
Hoje, para gravar uma aula de 25 minutos, para UMA turma eu demoro - entre fazer a aula, gravar e editar - um dia, um dia e meio. Agora é só fazer as contas... Com 21 turmas, quanto tempo eu perco na frente do computador?

Some isso ao fato de eu não saber, e ter que procurar tutoriais na internet.
Some ainda, estarmos todos em casa. Então é criança correndo pra lá pra cá (muitos professores, têm filhos, vcs sabiam?), gente chamando, o escritório ou ambiente de trabalho - que é dividido com outras pessoas que também estão em home-office. 

Some ainda a pressão de trabalhar mais e ouvir, que talvez, você tenha seu salário reduzido porque os pais dos seus alunos falam que você, professor, está em casa ganhando para fazer videozinho... 

Some a pressão da própria quarentena.
Quanto tempo me sobra apenas para respirar? Porque sim, brincar com os cachorros, ler e descansar... Eu já desisti.
Exigir que a gente aprenda outras coisas do dia para noite é cruel.

E eu entendo que a roda não pode parar de girar, e que os alunos têm que ter aulas... E que a vida continua.
Eu não quero férias.

NÃO SÃO FÉRIAS!!!
Eu quero empatia.
Eu quero que as pessoas entendam, que a gente está correndo contra o tempo pra deixar tudo pronto prós filhos de vocês. Que estamos trabalhando o triplo.

E que estudamos muito para chegarmos a professores. Dar aula não foi do dia pra noite. 

Aluno, olhe pro seu professor com mais carinho.
Pai, mãe... Não diga que o professor do seu filho tá em casa sem fazer nada.

Familiares, entendam que nós vamos precisar de ajuda.
Escolas, valorizem seus profissionais.
A quarentena vai acabar. E qual é a lembrança que você quer levar dela?


Fonte do texto: Facebook - Kinha Fonteneles (29 de março de 2020) 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

*** A Criança é Feita de Cem ( Loris Malaguzzi*)

A criança é feita de cem.

A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar.

Cem, sempre cem modos de escutar as maravilhas de amar.

Cem alegrias para cantar e compreender.

Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar.

Cem mundos para sonhar.

A criança tem cem linguagens (e depois, cem, cem, cem), mas roubaram-lhe noventa e nove.

A escola e a cultura separam-lhe a cabeça do corpo.

Dizem-lhe: de pensar sem as mãos, de fazer sem a cabeça, de escutar e de não falar,

De compreender sem alegrias, de amar e maravilhar-se só na Páscoa e no Natal.

Dizem-lhe: de descobrir o mundo que já existe e, de cem,

roubaram-lhe noventa e nove.

Dizem-lhe: que o jogo e o trabalho, a realidade e a fantasia, a ciência e a imaginação,

O céu e a terra, a razão e o sonho, são coisas que não estão juntas.

Dizem-lhe: que as cem não existem. A criança diz: ao contrário, as cem existem.

Sobre o Autor - *Loris Malaguzzi, professor italiano que criou a abordagem educativa mais tarde nomeada como “abordagem Reggio Emilia”, nome homônimo à cidade onde foi concebida.

***OBSERVAÇÃO - POSTAGEM SEMELHANTE EM https://smapeixoto.blogspot.com/2017/11/infancia-cem-linguagens.html (sábado, 25 de novembro de 2017).


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Loris Malaguzzi, o criador da abordagem Reggio Emilia


Quem foi Loris Malaguzzi, o criador da abordagem Reggio Emilia

                                    Por LEONARDO PUJOL postado em 22 de junho de 2020**


A criança é feita de cem. Malaguzzi completaria cem anos, caso estivesse vivo em 2020, (1920-1994). Autor deste poema, Malaguzzi é considerado o pai da abordagem Reggio Emilia.

A filosofia pedagógica “incentiva o desenvolvimento intelectual das crianças por meio de um foco sistemático sobre a representação simbólica”, conforme o livro As Cem Linguagens da Criança – Volume 1: A Abordagem de Reggio Emilia na Educação da Primeira Infância

“As crianças pequenas são encorajadas a explorar seu ambiente e a expressar a si mesmas através de todas as suas linguagens naturais ou modos de expressão, incluindo palavras, movimento, desenhos, pinturas, montagens, escultura, teatro de sombras, colagens, dramatizações e música.”

A filosofia se desenvolveu na cidade homônima, localizada no Norte italiano. O pontapé inicial foi dado pela comunidade, desejosa de reconstruir uma Reggio Emilia devastada pela Segunda Guerra Mundial.

Era 1946, os conflitos recém haviam cessado e a prioridade das famílias era construir uma escola com os tijolos das casas bombardeadas. Quando soube disso, Malaguzzi sentiu-se “hesitante e assustado”.

“Minhas capacidades lógicas, de um professor de nível fundamental completamente esgotado, fizeram-me concluir que, se isso fosse verdade (e eu assim esperava!), mais do que anômalo e improvável, era [algo] de outro mundo”, contou ele numa entrevista – disponível no volume 1 de As Cem Linguagens das Crianças.

Quem era Loris Malaguzzi

Loris Malaguzzi nasceu em 23 de fevereiro de 1920, na comuna de Correggio, localizada a 20 quilômetros de Reggio Emilia – ou a 70 quilômetros de Bolonha, Itália. Em 1940, depois de se formar em Pedagogia na Universidade de Urbino, começou a dar aulas nas escolas primárias da região. Foi assim até o fim da guerra, quando soube do movimento de Reggio Emilia

Ao pedalar até o local onde as famílias construíam a escola, em 1946, encontrou duas mulheres martelando de forma obstinada o cimento velho dos tijolos retirados de casas bombardeadas. Malaguzzi pôde confirmar que, de fato, construía-se uma escola com as sobras da guerra – e sem interferência de engenheiros, governantes ou burocratas.

As ferramentas usadas pelas mulheres, fazendeiros e trabalhadores voluntários (os homens iam à obra somente à noite e aos sábados) foram adquiridas com a venda de seis cavalos, três caminhões e um tanque de guerra abandonado pelos alemães. A terra foi doada por um fazendeiro; a areia vinha do rio.

Sobre o que testemunhara, Loris Malaguzzi afirmaria anos mais tarde:

"Tudo parecia inacreditável: a ideia, a escola, o inventário, que consistia em um tanque, alguns caminhões e cavalos. Eu sentia que essa era uma lição formidável de humanidade e cultura, a qual geraria outros eventos extraordinários".

Malaguzzi nunca mais foi embora de Reggio Emilia. Como a “escola do tanque”, outras sete foram criadas e administradas pelos pais nas imediações da cidade, especialmente em bairros pobres. Nesse período, algumas acabaram sucumbido por falta de experiência dos “gestores”.

Então Loris Malaguzzi abandonou o emprego de professor, passou uma temporada em Roma e voltou a Reggio Emilia – tanto para retomar a docência quanto para administrar um centro de saúde mental para crianças com dificuldades.

Vínculo com Reggio Emilia

O vínculo com Reggio Emilia se fortaleceu ainda mais quando Malaguzzi percebeu que
muitas crianças tinham dificuldade com a língua (falavam dialetos locais, em vez de italiano) e que os professores, ensinados em colégios católicos, tinham ideias amplas e conservadoras.

Malaguzzi e os demais professores convocaram uma reunião com os pais para pedir sugestões. Na ocasião, concluiu-se que “tudo sobre as crianças e para as crianças somente pode ser aprendido com as crianças”. Vem daí a ideia de que Reggio Emilia é uma abordagem baseada na coletividade e na ideia de que as crianças são capazes de conduzir a própria aprendizagem.

A abordagem Reggio Emilia combina princípios como protagonismo infantil, pedagogia da escuta, pensamento crítico, arte e documentação. A primeira escola infantil com base nesse conceito foi criada em 1963.

De lá para cá, centenas de creches e escolas infantis da Itália e de outros países adaptaram o modelo. Atualmente, mais de 5 mil educadores visitam Reggio Emilia todos os anos para conhecerem detalhes da abordagem que virou referência mundial.

O legado de Loris Malaguzzi

Não seria exagero dizer que Loris Malaguzzi foi um dos maiores educadores do século 20. Mas, infelizmente, seu trabalho ainda não é tão valorizado fora da Itália quanto deveria. Ao menos essa é a visão de Peter Moss, pesquisador infantil e professor da University College London.

Em uma entrevista à revista Nova Escola, Moss compartilhou que Malaguzzi “falava com professores ou assistentes [da mesma forma]. Para ele, era muito claro que não deve existir hierarquia. Todos precisam ser parte da docência e realizar um trabalho cooperativo”.

“As pessoas que conheceram Malaguzzi lembram vividamente dele, de como falava sobre o que estava lendo, as novas teorias e suas complexidades”, relembra Moss. “Depois perguntava o que fazer com isso e que projetos poderiam ser feitos. Ele retoma a ideia de experimentação.”

Loris Malaguzzi morreu em 1994, aos 74 anos, vítima de infarto. Seu legado, porém, permanece.

Fonte: ** https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/malaguzzi-100-anos/ 

OBS - Grifos feitos por mim. 

















segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Lances Inocentes (filme)

 

SINOPSE

Josh Waitzkin é um típico garoto de sete anos. Mas é também um gênio do xadrez. Seu pai é um cronista esportivo decidido a torná-lo um campeão. 

Este é um filme sobre a comovente lição que ambos aprendem: a única coisa que não podem perder é o amor que sentem um pelo outro. 

Laurence Fishburne e Ben Kingsley têm atuações marcantes neste empolgante filme, sobre a promessa e o milagre da vida.

Título Original: Searching for Bobby Fischer

Drama, EUA, 1993, 110 min.; COR

Título no Brasil: Lances Inocentes

Direção: Steven Zaillian

(Fonte: Interfilmes)

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VIDA REAL - (informações pessoais)

Nome completo: Joshua Waitzkin, nascimento em 4 de dezembro de 1976, Nova Iorque,


EUA. Título: Mestre Internacional. É um enxadrista, artista marcial e escritor americano.

Começou a jogar xadrez aos 6 anos de idade. Como um competidor escolar, ganhou 8 títulos nacionais e sua carreira juvenil estava imortalizada quando a Paramount Pictures lançou Lances Inocentes, filme baseado na sua vida e amor ao xadrez. Josh se tornou um Mestre Nacional aos 13 anos de idade e Mestre Internacional aos 16 anos. Waitzkin é conhecido pelo seu estilo de ataque sem medo e profundo entendimento de finais de jogos.

Atualmente Waitzkin se dedica a prática das artes marciais, inicialmente o Tai Chi Chuan com o mestre William Chen, tendo vencido diversos campeonatos nacionais e internacionais. Waitzkin também alcançou a graduação faixa preta no Brazilian Jiu Jitsu sob a orientação do sensei brasileiro e campeão mundial Marcelo Garcia. Watzkin e Garcia são fundadores da Marcelo Garcia Academy.

Watzkin é autor do bestseller The Art of Learning: An Inner Journey to Optimal Performance, obra que versa sobre desenvolvimento pessoal, na qual ele relata suas experiências pessoais e métodos de aprendizado que o levaram a ser mestre e campeão no tabuleiro e nas artes marciais que domina.

Trabalhou com a empresa desenvolvedora de Games Ubisoft num dos dos maiores softwares de xadrez, o Chessmaster. Seu personagem aparece no game com um dos desafiantes e também é o professor virtual do jogo.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Josh é um menino norte-americano de sete anos de idade que aprende a jogar xadrez
observando um grupo de moradores de rua em uma Praça de Nova Iorque, local em que se revela seu interesse e habilidade, sua mãe o observa com atenção, curiosidade e amor e pede ao pai que jogue com o menino. O pai um cronista esportivo mostra-se inicialmente distante do filho, entretanto passa a dedicar ao recém-descoberto aprendizado do garoto após o mesmo vence-lo seguidas vezes. Resolve contratar o melhor professor para lhe ensinar a técnica do jogo e começa a inscrevê-lo em campeonatos, nos quais é tido como uma revelação. O sucesso ameaça torna-se obsessivo e o garoto demonstra o desejo de treinar com o pessoal da praça, mas o pai o impede. Após uma derrota em uma partida, pai e filho tem uma rara oportunidade de reavaliar sua relação. O menino expressa seus sentimentos em relação ao distanciamento afetivo e este retoma suas ideias e posturas e passa a acompanhar seu treinamento na praça. O que se sucede são conquistas de prêmios que o projetam no mundo do xadrez.

Josh revela facilidade de aprendizagem, raciocínio e memória; passa a perceber as jogadas com interesse e demonstra excelente capacidade de atenção e concentração, bem como para examinar e armazenar as informações recebidas, associar e fazer combinações utilizando princípios de análise e síntese visual e viso motora com êxito, coragem, ousadia e criatividade. Quando necessário age com ponderação, programa e verifica suas ações, reformula mentalmente e refaz os lances para obter melhores resultados, pois a atividade de jogar xadrez exige a criação de intenções, planos e estratégias.

A mãe de Josh buscava o garoto na escola e na volta pra casa ele pede para ir ao Parque
“ver os homens jogarem”. A mãe estranha o pedido perguntando “que homens?”. Mas, consente e leva-o ao local. Em outro dia, passando pelo mesmo parque, veem um homem sentando em uma mesa com um tabuleiro de xadrez e uma placa que diz: “jogo ou foto… 5 dólares”. E a mãe propõe que o garoto jogue uma partida. Ele perde, mesmo assim a mãe fica surpresa por ver que o filho de sete anos, conhece as regras desse jogo, sem ninguém ter ensinado. Conta, então, ao pai do menino que a princípio não acredita, mas depois fica igualmente surpreso.

Josh parece ter grande capacidade intelectual Geral: caracterizada por “rapidez de pensamento, compreensão e memoria elevadas, capacidade de pensamento abstrato, curiosidade intelectual, poder excepcional de observação” (Virgolim 2007, p. 28). No caso específico de Josh, pode-se observar, “facilidade de aprendizagem, raciocínio e memória; passa a perceber as jogadas com interesse e demonstra excelente capacidade de atenção e concentração, bem como para examinar e armazenar as informações recebidas, associar e fazer combinações utilizando princípios de análise e síntese visual e viso motora com êxito, coragem, ousadia e criatividade. Quando necessário age com ponderação, programa e verifica suas ações, reformula mentalmente e refaz os lances para obter melhores resultados, pois a atividade de jogar xadrez exige a criação de intenções, planos e estratégias.”

Após perceber a facilidade com que Josh jogava xadrez, seus pais decidiram contratar o
melhor professor para que o menino pudesse desenvolver suas habilidades. Além disso, os pais representados nesse filme são o ideal descrito por Virgolim (2007, p. 16) acreditavam na importância do trabalho árduo e ativo, com ênfase na autodisciplina e em dar o melhor de si para se alcançar o objetivo proposto; demonstravam estar orgulhosos das habilidades do filho e de suas realizações, inclusive mostrando interesses similares aos deles, ajudando-os a organizar o tempo, a estabelecer prioridades e a manter altos padrões para que a tarefa fosse completada. Ou seja, combinam apoio e altas expectativas, encorajam a criança, providenciam oportunidades e recursos, no caso do filme, além de contratar um professor de xadrez particular, incentivam o filho a participar de competições onde esse talento é muito valorizado.

Muitas vezes os profissionais da escola regular não estão preparados para receber alunos
como Josh. São varias as situações que podem ocorrer. Às vezes, aluno aprende com tamanha facilidade/velocidade que acha a aula monótona e desinteressante. Se a professora não está preparada para lidar com esse aluno, talvez seus níveis de afinidade não sejam compatíveis, o que interfere na relação e consequentemente na dinâmica da sala de aula. Quando a alta habilidade já foi diagnosticada, o professor pode se sentir despreparado ou incapaz se não conhece as reais necessidades de um aluno com superdotação, pode pensar que somente alguém com o mesmo nível intelectual, têm capacidade de ensinar-lhe algo, ou pior, pode pensar que já que ele é tão inteligente, não precisa de sua atenção. Mas essas são só alguns dos problemas que podem ocorrer quando se tem uma equipe escolar despreparada para receber esse aluno.

Josh teve a sorte de estar em um ambiente propício ao desenvolvimento de suas potencialidades, seu pai, comentarista esportivo, logo que percebeu o talento do filho para o Xadrez contratou um professor particular para ensinar a técnica ao garoto. O que é favorável no caso de Josh é que os adultos a seu redor tem um olhar diferenciado, que busca conhecer suas necessidades e buscar meios para satisfazê-las.



Fonte: https://umapsicologa.wordpress.com/2014/03/18/filme-lances-inoscentes/  

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Quando e como aplicar as técnicas de estudos às crianças

Que métodos podem usar os pais para ajudar aos seus filhos a estudar

Vilma Medina 

(Diretora de Guiainfantil.com - 7 de março de 2015)

Quando se começa ou se termina um novo curso escolar, as crianças têm as melhores intenções do mundo. Mas muitas vezes ficamos apenas nisso, nas boas intenções. E temos que dizer que não vale apenas boa vontade. A gente se empenha em fazer tudo o que nos propomos, mas depois chega o difícil, manter o horário, encontrar tempo, etc., e depois de um mês já abandonamos quase tudo.

E não é falta de competência, é que não sabemos como temos que nos preparar desde o princípio.

Meu filho não gosta de estudar

Nos estudos é a mesma coisa. 

Podemos escutar muitas vezes os adolescentes: Eu não consigo estudar! Não me dá tempo! Nunca gostei de matemática!... Mas eles se dão conta que quando refletem, existem coisas que não vão bem.

- Tem crianças que se empenham durante todo um período, e quando se dão conta só fizeram uma coisa, e quando são chamados para jantar se dão conta que não sabem o que aconteceu e todos os deveres ainda estão por fazer.

- Deu branco no exame! Levei dois dias estudando e agora não me lembro de nada!

- É que meu filho não gosta de estudar, não é capaz de se sentar e trabalhar, passa toda a tarde em frente à TV ou no computador. Não sei o que fazer com ele!

Todos sabemos ou pelo menos nos lembramos de algumas técnicas de estudo: como devemos nos sentar diante uma mesa para estudar (retos, cômodos), com a higiene ambiental adequada (luz, calor, ruído adequado), controlar os tempos, saber fazer resumos, esquemas etc. Mas não colocamos isso em prática.



Desde muito pequenos, devemos educá-los na disciplina e no estudo. No primário, podem ir até mais ou menos bem, mas logo chega o secundário e tudo vai por água abaixo. E não me refiro a que sejam reprovados, mas que começam a sofrer e lutar para tentar aprender de qualquer forma, quando isso se deve aprender e educar desde cedo, e além disso, em casa.  E digo desde a casa, porque não é responsabilidade do colégio. O professorado já sabe de memória como devem estudar, e explicam nas aulas todos os anos, mas os alunos têm  que colocar em prática com apoio e supervisão da família.

Quando chegar em casa à tarde, há tempo para merendar, para falar de como foi no colégio, com os amigos, professores, piadas novas etc. Logo começamos a trabalhar. Para isso não tem discussão. Todos temos responsabilidades e devemos cumprir com elas (se no princípio custa, pode-se recorrer a um sistema de prêmios por acordos conseguidos). Deve-se começar já com as crianças pequenas, dedicando-lhes uma horinha todos os dias: lemos um conto, fazemos um desenho, aprendemos a fazer quebra-cabeças, a recortar, a fazer os laços dos sapatos... No princípio significará termos que fazer isso todos os dias, sem exceção.

Com o tempo, veremos como podemos, pouco a pouco,  deixá-los a sós e ver que adotaram esse costume de trabalhar todos os dias. Se nos sobra tempo, podemos brincar, ver um pouco de televisão ou brincar no computador (sempre controlando o tempo) e sempre nessa ordem: primeiro o trabalho e depois a distração.

Existem pais que se queixam porque para merendar, os filhos se colocam em frente à TV e logo não têm como desligá-la para que comecem a estudar. Neste treinamento, para conseguir o hábito de estudar, devemos levar a sério desde o princípio e fazê-lo bem (para comer não necessitamos da televisão).

Técnicas de estudos às crianças

Já com 7- 8 anos podemos introduzir o conceito de tempo de estudo. Para evitar o exemplo anterior de que se passa toda uma tarde sem haver terminado os deveres, temos que praticar com o relógio e os horários. Por exemplo, começamos com uma palavra cruzada por dia. Controlamos no primeiro dia quanto demora (coloquemos dez minutos) e a partir desse dia propomos à criança, tentar ganhar dela mesma e superar seu próprio recorde (9 - 8 - 7 minutos). Isso não é para se afobarem com o tempo, mas para que compreendam que quando nos colocamos um tempo, as coisas funcionam de uma maneira, e quando não é assim, podemos passar horas para realizar o mesmo trabalho. Quanto antes terminem, mais tempo terão para brincar depois.

Isto servirá como aquecimento, para logo passar a uma outra atividade. Ler todos os dias pelo menos 15 minutos e também com bom ritmo.


Quando vão crescendo, a palavra cruzada pode ser substituída por algum exercício simples ou alguma matéria fácil e rápida, para logo passar a matérias que nos custe ou tenha mais trabalho no dia seguinte. Não podemos deixar para o final de semana, já que sempre haverá alguma desculpa para não fazê-lo (estou cansado, não tenho vontade, melhor que me explique amanhã...)

As crianças se acostumaram a fazer os deveres (somente os exercícios que passam na sala de aula) todos os dias e com isso já cumpriram seu estudo... Isso não vale. Primeiro se estuda a pergunta e logo se fazem os exercícios.

Se uma criança está atenta na sala de aula à explicação: 

(1º) estuda em casa 

(2º) aprende 

(3º) faz exercícios 

(4º) os corrige na sala 

(5º) faz resumo ou roteiro 

(6º) e repassa as perguntas de tempo em tempo 

Até o dia da avaliação, como não vai saber a lição para o dia do exame depois de ter repassado pelo menos 7 vezes a mesma pergunta?

Claro que se não está atenta na sala de aula, não faz os deveres e estuda um dia antes do exame, já sabemos como sairá.

Quando começamos a educar os filhos, devemos ter claro que buscamos o melhor para eles,

e nessa vida as coisas se conseguem com esforço. Com essa disciplina,  que queremos ensiná-los para seu bem, vamos poder chegar à conclusão que todos estamos cansados, mas que eles têm seu trabalho pela tarde, igual a nós com comidas, no passar roupas, ajudar os filhos nas tarefas...e o fazemos com gosto. No final do dia, uma vez realizadas nossas tarefas, podemos descansar, ler, etc. E deitaremos com a satisfação do dever cumprido.


Fonte - https://br.guiainfantil.com/aprendizagem/82-quando-e-como-aplicar-as-tecnicas-de-estudos-as-criancas-.html  - María Concepción Luengo de Pino - Psicopedagoga



terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Cordel de natal – Bráulio Bessa


Que você, nesse Natal,

entenda o real sentido

da data em que veio ao mundo

um homem bom, destemido

e que o dono da festa

não possa ser esquecido.


Vindo lá do Polo Norte

num trenó cheio de luz

Papai Noel é lembrado

muito mais do que Jesus.

Ô balança incoerente

onde um saco de presente

pesa mais que uma cruz.


Sei que dar presente é bom

mas bom mesmo é ser presente

ser amigo, ser parceiro

ser o abraço mais quente

permitir que nossos olhos

não enxerguem só a gente.


Que você, nesse momento,

faça uma reflexão

independente de crença,

de fé, de religião

pratique o bem sem parar

pois não adianta orar

se não existe ação.


Alimente um faminto

que vive no meio da rua,

agasalhe um indigente

coberto só pela lua,

sua parte é ajudar

e o mundo pode mudar

cada um fazendo a sua.


Abrace um desconhecido,

perdoe quem lhe feriu,

se esforce pra reerguer

um amigo que caiu

e tente dar esperança

pra alguém que desistiu.


Convença quem está triste

que vale a pena sorrir,

aconselhe quem parou

que ainda dá pra seguir,

e pr’aquele que errou

dá tempo de corrigir.


Faça o bem por qualquer um

sem perguntar o porquê,

parece fora de moda

soa meio que clichê,

mas quando se ajuda alguém

o ajudado é você.


Que você possa ser bom

começando de janeiro

e que esse sentimento

seja firme e verdadeiro.

Que você viva o Natal

todo ano, o ano inteiro.


Sobre o Autor - Bráulio Bessa Uchoa é um poeta,  cordelista, declamador e palestrante brasileiro. Nasceu em Alto Santo, Ceará em 1985.








sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

O Jogo do Silêncio de Montessori para as crianças

 

Para que se utiliza o jogo do silêncio na infância

Sem dúvida, a concentração é uma das coisas difíceis para as crianças. Manter a atenção de uma criança com frequência se apresenta como um desafio. 

Existe um jogo criado pela filosofia Montessori que pretende ajudar as crianças a melhorar a concentração, a paciência e a empatia. Chama-se o Jogo do Silêncio. Você o conhece? 

Para jogar não é necessário de nenhum material. É recomendável a utilização de um instrumento musical (uma campainha ou um tambor tibetano) para marcar o começo e o final do momento de silêncio. Crianças a partir dos dois anos já podem participar. Mas, como se joga?  

1. Peça às crianças que irão participar que se sentem no chão em círculo. Se for uma única criança bastará que você se sente com ela. 

2. Explique como funciona o Jogo do Silêncio e que as crianças devem ficar tão quietas e silenciosas como uma pedra ou uma flor. 

3. Peça às crianças que fechem os olhos. Elas não podem deixar de ser flor nem pedra. Não podem falar. 

4. Deixe passar 30 segundos. Para começar é suficiente. Cada dia que jogarem se pode tentar que permaneçam um pouco mais de tempo em silêncio. 

5. Toque o instrumento musical que você tenha utilizado para marcar o final do tempo de silêncio. Você também pode terminar chamando cada criança pelo seu nome para que se levantem.  

6. Peça a cada criança que explique diante do restante o que ela tenha sentido ou escutado no seu tempo de silêncio. 

Benefícios do Jogo do Silêncio de Montessori para as crianças 

O Jogo do Silêncio não serve como castigo. Não se utiliza para que a criança reflita sobre o que fez de ruim. É somente um método de relaxamento que contribui com todos esses benefícios às crianças: 

1. Ajuda a criança a melhorar a concentração. 

2. Desenvolve a disciplina interna. 

3. Melhora o autocontrole. 

4. Exercita a paciência. 

5. Faz com que as crianças aprendam a ser tolerantes e respeitosas. 

6. Ajuda a criança a relaxar e faz com que ela medite e pense como o Mindfulness**. Isso é bom para que aprenda a desenvolver o pensamento crítico. 

7. É um exercício fantástico para aumentar a agudez auditiva. As crianças melhoram sua percepção auditiva. 

8. Quando participam várias crianças pode servir para praticar o trabalho em grupo. 

 **Intenção + Atenção + Atitude = Mindfulness É a tradução da palavra Sati, que é definida como “a capacidade de se lembrar”. É quando o ser humano está consciente daquilo que se passa com o seu corpo, mente, pensamentos e emoções – tudo ao mesmo tempo.



Fonte - https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/jogos/o-jogo-do-silencio-de-montessori-para-as-criancas/ Em 31 de agosto de 2016

Estefanía Esteban - Redatora de GuiaInfantil.com